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Primeiras Impressões: A Longa Viagem a um Pequeno Planeta Hostil

20 de abril de 2018


Olá pessoal, tudo bom? Mais uma vez venho escrever uma postagem coletiva do Projeto Próximo Capítulo. Neste mês, surgiu a ideia de falar sobre as "primeiras impressões" do livro que estamos lendo no momento. A minha leitura atual é A Longa Viagem a um Pequeno Planeta Hostil, da Becky Chambers, publicado pela Editora Darkside no ano passado. Vi muita gente elogiando, mas também vi pessoas próximas a mim que não gostaram tanto. Então, para criar a minha própria opinião, resolvi ler a obra. Então vou contar um pouco sobre o que estou achando a leitura, vamos lá?

Editora: Darkside Books. Ano de Lançamento: 2017. Páginas: 352.
SkoobGoodreads. Onde comprar: AmazonSaraiva.

 A Longa Viagem a um Pequeno Planeta Hostil foi um livro publicado, originalmente, em 2014 e só veio parar nas terras brasileiras o ano passado. Não tendo o costume de ler muitas obras de ficção científica, fiquei com um pé atrás e esperei para ver as resenhas dos leitores brasileiro com mais detalhes sobre a história para saber se era algo que eu gostaria de ler.

Passado alguns meses, vi que era um romance de estreia da autora, ganhador de prêmios e com várias reviews positivas. Resolvi colocá-lo na minha lista de desejados e consegui adquiri-lo com um preço bacana na promoção do Dia da Mulher na Saraiva. Comecei a leitura e me encantei com a escrita logo nas primeiras páginas.

Logo de cara somos apresentados aos personagens que, provavelmente, nos acompanharão na aventura até o fim desse volume. A bordo da Andarilha estão o capitão e os tripulantes e contaremos com a chegada da nova guarda-livros marciana. Todos eles, são responsáveis por cavar buracos de minhoca pela Comunidade Galáctica e  terão um novo desafio pela frente. É a primeira vez que faço uma postagem de "primeiras impressões", mas não quero me estender, com detalhes, sobre a trama para não atrapalhar quem deseja começar essa leitura (pretendo, se possível, dar mais detalhes com a possível resenha a ser publicada).

Era o menor quarto que Rosemary já vira, o mais simples e humilde [...]. Entretanto, considerando tudo, era perfeito. Não podia pensar em um lugar melhor para recomeçar.

A edição merece um elogio a parte. A capa é linda e, com detalhes brilhantes na parte que representa o céu, só deu um charme a mais na arte. Capa dura, folhas amarelas e diagramação confortável, apesar das letras pequenas - característico da editora. Com apenas 352 páginas, os capítulos são divididos em dias e com títulos, bem diferente do que estou acostumada. E a narração é feita em terceira pessoa, o que amplia ainda mais os núcleos da narrativa. 

A história começa confortavelmente, nos apresentando aos personagens e o contexto. Até o momento, não se tornou uma leitura massante ou que, até mesmo, trata o leitor como burro ao ter que explicar cada detalhe das culturas e dos outros povos. Sério, isso é uma das coisas que mais me irritam em ficção científica, pois se os personagens são da mesma "raça" e vivem no mesmo universo, não há necessidade de explicar na narrativa como se estivesse falando com uma criança. Porém, ela nos dá as informações de maneira simples e, até agora, tenho gostado. 

Logicamente já tenho os personagens que me conquistaram logo de cara e outros que eu fiquei receosa de conhecer, por não concordar de suas atitudes. Quero ver como serão desenvolvidos e se a minha opinião será a mesma até o final. Além disso, fiquei ainda mais curiosa sobre o mundo que ela criou e sobre as espécies que foram citadas. Acredito que, como um bom sci-fi, ela poderá abordar questões de política e de preconceito com facilidade. E, claro, ela já levantou algumas questões que eu espero que sejam respondidas ao longo da história, como os motivos da Rosemary precisar de um recomeço. 

Portanto, a trama já me prendeu e, com um ritmo confortável, espero conseguir terminar a leitura nesse fim de semana. O segundo volume chegará nas livrarias em maio e, se eu continuar gostando do restante do enredo da mesma maneira que gostei desse começo,  vou ter que adquirir logo para continuar a minha aventura com a Becky Chambers. Se for uma obra que eu recomende, a resenha será publicada o mais breve possível, tá? Então não deixem de conferir aqui no blog!


E vocês, já leram esse livro? Querem ler? Qual é a opinião de vocês?

Astronauta: Magnetar, de Danilo Beyruth e Cris Peter

18 de abril de 2018


Olá pessoal, tudo bom? Se tem uma coisa que eu amo é o trabalho do Maurício de Souza. Sim, eu fui daquelas que cresceu lendo os seus gibis e tenho um carinho muito grande por ele. Por isso que, quando soube da notícia (lá em 2012) que ele iria dar a oportunidade para que outras pessoas criassem enredos baseados em seus personagens, vibrei.

Graphic MSP, então, é um projeto em que artistas brasileiros consagrados recebem um convite para criar histórias com seus próprios estilos baseados nos personagens que já conhecemos há anos. É ótimo, já que é uma oportunidade de ver diferentes estilos, conhecer diferentes quadrinistas e, de quebra, apreciar histórias que não veríamos nas HQS tradicionais do Maurício - já que algumas, inclusive, tem um enredo mais adulto.

A primeira publicação - feita em outubro de 2012 - foi Astronauta: Magnetar, roteirizado e desenhado por Danilo Beyruth e conta com as cores da Cris Peter. Portanto, essa será a primeira resenha da série da Graphic MSP que terá por aqui e não poderia ter começado melhor. Vamos conferir o que eu achei dela?





Editora: Panini Comics. Ano de Lançamento: 2012. Páginas: 84.
SkoobGoodreads. Onde comprar: AmazonSaraiva.

A solidão é a sua maior companheira

Acredito que o personagem Astronauta dispensa apresentações. Entretanto, o seu próprio nome - Astronauta Pereira - demonstra qual é a sua função nas histórias do Maurício de Souza. Uma pessoa que queria explorar o universo e não gostaria de viver a vida do seu avô, onde nunca esteve mais longe do que cinquenta quilômetros de casa. 

Na sua mais nova missão, ele tentará encontrar o Magnetar e estudá-lo. Porém, uma má sorte e um descuido faz com que ele fique "náufrago" no espaço. A solidão será a sua nova companheira e ele terá bastante tempo para repensar sobre a sua vida, enquanto tenta se manter são e vivo. 



Solidão. Em Astronauta: Magnetar, através do silêncio, os desenhos gritam essa emoção em cada quadro. Veremos, também, a luta, os arrependimentos e a tristeza. Os sentimentos não estão explícitos em palavras, mas exalam nos traços e nos pequenos detalhes. Ainda mais que temos uma junção de uma narrativa filosófica com a ciência. Mas não se preocupem, são apenas algumas explicações descomplicadas para nos contextualizar sobre a tão importante missão. 

Apesar de ser uma trama bem simples, ao focar em apenas um protagonista em situações extremas, foi uma das mais belas histórias que eu já vi. É tão humano e cru, que senti compaixão pelo herói e me envolvi em sua narrativa, torcendo para um final feliz. Ele ali, sozinho no espaço, parecendo o personagem do Tom Hanks, se alucinando, repensando a sua vida, se arrependendo de algumas situações e tentando achar uma saída para sobreviver é comovente. 

O personagem que vemos aqui diferente do que estamos acostumados nos gibis do Maurício. Me surpreendeu ao ser muito mais adulto, principalmente nos traços do Beyruth em conjunto com as cores da Cris. Eles fizeram um trabalho excepcional e conseguiram estar a altura de uma releitura de um quadrinista tão famoso. Eles souberam usar uma figura que está presente na nossa memória e criar uma história mais madura, que levanta questões e nos faz reexaminar a nossa própria existência.

É difícil decidir qual Graphic MSP eu gosto mais. A cada leitura, eu me deparo com uma história incrível e percebo como temos artistas talentosos em nosso país. A escolha de cada um foi acertada e nos deparamos com enredos de diversos tipos, desde os mais maduros aos mais inocentes. Cada um faz a sua própria releitura dos personagens do Maurício, com uma roupagem nova, mas com a essência sendo mantida. Estou, realmente, ansiosa para os próximos. 

E vocês, já leram essa HQ? Querem ler? Qual é a opinião de vocês?

A Guerra que me Ensinou a Viver, de Kimberly Brubaker Bradley

16 de abril de 2018


Olá pessoal, tudo bom? Eu amei tanto A Guerra que Salvou a Minha Vida, da Kimberly Brubaker Bradley, que não hesitei em comprar a continuação: A Guerra que Me Ensinou a Viver. Eu li o mais rápido que pude depois que a encomenda chegou e, ah, como eu amei essa obra! Vou contar um pouco para vocês o que me encantou tanto. Vamos lá?

Editora: Darkside Books. Ano de Lançamento: 2018. Páginas: 280.
Skoob, Goodreads. Onde comprar: AmazonSaraiva.

Uma nova história é escrita

No primeiro livro, conhecemos a história da pequena Ada e do seu irmão mais novo, Jamie. Eles não conheciam nada além do local onde moravam e a Ada, ainda, nunca saiu do apartamento em que vivia com a Mãe. A menina não sabia o dia do próprio aniversário ou, até mesmo, quantos anos tinha. Nascendo com um pé torto - deficiência que poderia ter sido resolvido com uma simples cirurgia desde quando era um bebê -, sofreu abusos de sua genitora durante toda a sua infância. Não conhecia uma vida diferente daquela.

O cenário é a Segunda Guerra Mundial e a Inglaterra está passando por dificuldades contra a Alemanha. Entretanto, quando as crianças foram evacuadas de Londres para o interior - fugindo dos bombardeios da capital -, ela vê uma oportunidade para sair daquela horrível realidade. Se infiltrando no meio dos outros jovens, chega em Kent, na casa da Susan Smith - que a acolhe junto ao irmão por não haver escolha, sob a pressão da Lady Thorton.  Mal sabiam que a vida dos três mudaria para sempre.

O Jamie e eu também éramos náufragos, mas no fim das contas não tínhamos sido resgatados. Não tínhamos chegado a uma ilha. Ainda lutávamos para não nos afogarmos no mar abalado pela tormenta. 

A guerra salvou-lhes a vida e agora a pequena Ada - que descobriu que tinha nove anos - fará a tão esperada cirurgia. A sua adaptação após o procedimento e vivendo novamente com a Susan e seu irmão mais novo é a ambientação desta obra. Neste momento, a guerra lhe ensinará a viver e voltar a ser criança.

A Ada, por conta  dos maus-tratos sofridos pela mãe, é insegura, teimosa e orgulhosa. Algumas vezes, no primeiro volume, isso me irritou. Mas eu parei, pensei e consegui entender os motivos dela ser assim e que eu precisava me colocar no lugar dela para compreendê-la totalmente. É de cortar o coração tudo o que ela sofreu por ter sido filha de uma mulher que não estava preparada para tal função. 

Eu mal podia acreditar. "Daqui a pouco", eu disse, "vou estar correndo. E mais rápido que você."

Portanto, ainda temos uma Ada insegura, que não sabe se soltar e ser criança, agindo como se fosse responsável por tudo. Ela tem os resquícios de seu abuso e não conhece uma rotina que não aquela recheada de medo. Ada não descobriu quem ela é, na verdade. É difícil apagar anos de sofrimento em um segundo. Alguns nunca superam, mas aquela pequena menina tem uma lição para nos ensinar e mostra que, com o devido cuidado, tudo é possível.

Junto com Susan, Jamie, Maggie (sua melhor amiga e filha da Lady Thorton) e os cavalos, ela começa a se encontrar. Mesmo em meio aos horrores dos combates e do racionamento de alimentos, ela descobre um local seguro para florescer. E faz isso lindamente. 

Tentei me forçar a me sentir feliz, mas por sob a felicidade, eu estava espinhosa, como se toda a pele do meu corpo estivesse esticada demais. Eu podia não ser uma aleijada, mas ainda não sabia quem eu era.

Susan, uma mulher que nunca quis ter filhos e tem suas próprias cicatrizes internas, se mostra uma verdadeira mãe. Apesar da Ada e Jamie não saírem de seu ventre, ela sabe dar espaço e o amor necessários para a cura das crianças. Cada um dos três, no seu próprio tempo, aceitam o seu novo destino e se abrem para uma nova fase, com esperança de um futuro melhor.

Mas a época não ajuda e, com a guerra acontecendo, o livro não é inteiramente feliz. Apesar de vermos o desenvolvimento da Ada e como ela amadureceu, temos momentos de inteiro sofrimento que nos quebra o coração. Outros momentos, por outro lado, são de um encantamento que nos dá um pouco de fé que tudo terminará bem. 

"Mas você também tem outras cicatrizes, não tem?" A Maggie rolou o corpo de costas. Vi que ela agarrava a beirada dos lençóis. "Todo mundo tem. Invisíveis."

Não é assim, lógico. É uma guerra e, como tal, traz diversas problemáticas, incluindo a morte, o preconceito e a dor constante. É um cenário que traz sempre uma expectativa que algo horrível aconteça. Mas a autora sabe como dosar todos os assuntos e não fica tão pesado ao ponto de você não querer mais ler. Todavia, me fez chorar e muito. Seja de felicidade ou de tristeza.

É uma trama delicada e a Kimberly conduziu a história com a sensibilidade esperada. Narrado pela Ada, nos mostra a perspectiva de uma criança em meio aos horrores, então a inocência e peripécias infantis são o que dão fôlego ao enrendo tenso. O amor pelos animais, principalmente os cavalos, é o que mais ajuda a pequena menina a evoluir. De uma garota que não sabia andar e nem ler, vemos uma pequena jovem que aprendeu a voar.

De súbito, meu medo desapareceu. O Oban estava voando, e eu ia com ele. Voando. Eu estava voando! Era a melhor e mais feliz sensação do mundo.

A narrativa, logo, é algo fluída e envolvente. Eu não conseguia largar essa leitura enquanto não terminei, pois eu precisava saber o final da mesma maneira que preciso de ar. Olhar a guerra pelos olhares singelos de uma criança nos leva a pensar sobre o que está acontecendo agora no Oriente Médio. O meu maior desejo é que nenhuma delas saibam o que é uma guerra de verdade, mas sei que muitas nasceram durante essa época e não conhecem outra realidade a não ser esta.

A vida é terrível e ver jovens sofreram pelas mãos dos adultos é horripilante. Mas A Guerra que me Ensinou a Viver acalenta o meu coração ao mostrar uma Ada que se abriu a novas perspectivas e se deixou ser amada. Ela poderia ter se fechado para sempre, deixando o abuso infantil ter ditado a sua vida, mas resolveu deixar as pessoas que são importantes na sua vida, curá-la. 

E foi um presente. Foi o momento mais incrível da minha vida. 

A edição, como sempre, é linda. A Darkside Books sabe como complementar uma obra ao criar um projeto gráfico, diagramação e capas que enchem os olhos. É quase idêntica ao primeiro volume, com pequenas mudanças. Mas o mais importante, é que a história vale muito a pena. É encantadora, cativante e que, apesar de ter o poder de lhe emocionar, essas lágrimas terão um grande significado. Eu só posso dizer uma coisa: leiam, por favor, vocês não irão se arrepender!


E vocês, já leram esse livro? Querem ler? Qual é a opinião de vocês?