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Jurassic Park, de Michael Crichton

3 de novembro de 2017


Olá pessoal, tudo bom? A franquia de Jurassic Park voltou em 2015 com o lançamento do filme Jurassic Word. Ótima notícia para os fãs brasileiros que ganharam, da Editora Aleph, o relançamento do livro de Michael Crichton. Servindo como base para o filme homônimo de 1993, Jurassic Park foi escrito em 1990 e conta com uma história mais ampla que sua adaptação cinematográfica com duração de 2 horas. E hoje foi contar como foi a experiência com essa obra!

Editora: Aleph. Ano de Lançamento: 2015. Páginas: 528. 
Skoob, Goodreads. Onde comprar: Amazon, Saraiva.

Os dinossauros estão soltos!

O enredo, conhecido mundialmente, é sobre o convite que um grupo pequeno recebe: visitar um novo parque que é completamente diferente de qualquer outro no mundo, pois é formado por animais pré-históricos extintos há muitos anos. Essa visita era só uma prévia de como seria quando o parque fosse aberto, porém algo dá errado e as pessoas precisam enfrentar diversos riscos para sobreviver.

- Você sabe por que a Fundação Hammond sustenta tantas pesquisas com dinossauros?
- Claro. É porque o velho John Hammond é um maluco por dinossauros.

O roteiro do filme é escrito pelo próprio Michael Crichton, por isso imaginei que a adaptação fosse totalmente fiel ao seu livro. Me surpreendi com a leitura já que apesar da fidelidade, o filme não contém muito mais do que 20% do conteúdo do livro. Algumas mudanças podem ser vistas em relação aos personagens: alguns possuem pouco tempo em tela, porém são mostradas com muito mais importância no livro; as cenas são retratadas detalhadamente, nos transportando para o incrível mundo criado pelo autor; e, além disso, há um aumento na ficção científica e explicações teóricas sobre o que está ocorrendo.

Por isso, o autor consegue nos conduzir para um mundo totalmente novo, envolvido na ficção cientifica de uma maneira simples através de sua narrativa. Durante a leitura, me deparei com várias explicações científicas profundas sobre a clonagem dos dinossauros, sem contar o aprofundamento que Ian Malcolm dá para a teoria do caos para retratar o pandemônio que ocorre no parque (antes mesmo que ocorra algum incidente, mas já prevendo). Porém essas cenas são mescladas com as de ação e perseguição, não sendo, de maneira alguma, chatas ou enfadonhas.

Com isso, as cenas de ação são brutais e minuciosas. Desse modo, me vi dentro do cenário descrito pelo autor e senti na pele o medo que os personagens sentiam naquele momento. Há muitas perseguições não só com o T-rex, mas com os Velociraptors também. Em algumas situações, a narrativa trazia tantos detalhes, que meu coração batia rápido como se eu estive no lugar dos personagens e não conseguia largar o livro para saber o que iria acontecer a seguir. É realmente uma escrita fascinante e cativante.

A única ressalva que eu tenho do livro é o papel da mulher na obra. Tal ressalva foi até debatida num dos extras que a Editora Aleph nos presenteou, me mostrando que não fui a única a ficar incomodada com as personagens femininas. Temos duas, na verdade: Dra. Ellie, que aparece em seus shorts curtos com o único propósito de ser uma "mãe" para as crianças e que não tem muito enfoque na história; e Lex, uma menina insuportável e mimada, que só sabia reclamar e parecia muito mais jovem do que a sua idade real.

Tirando o fato que as personagens femininas não são tão boas quanto as masculinas, posso afirmar que é uma história espetacular. Michael Crichton, que já havia mostrado seus talentos como criador da série ER (Plantão Médico), consegue comprovar seus talentos científicos nesse livro (e espero que na continuação também).

Enfim, se você gosta do filme Jurassic Park, a leitura desse livro é indispensável e vale muito a pena. Pode demorar um pouco mais, por ter mais de 500 páginas e possuir muitas explicações técnicas, mas o autor consegue te conquistar por sua escrita envolvente e você será levado para um mundo totalmente novo.

A Editora Aleph teve um cuidado muito especial com esse livro, onde não notei erros na tradução/revisão. O livro também não possui orelhas, mas tem folhas amareladas e as letras estão em um tamanho agradável para a leitura. Estou realmente ansiosa para a continuação, O Mundo Perdido, que já foi publicado por eles e parece estar em uma edição tão linda quanto a do Jurassic Park.


Fragmentos do Horror, de Junji Ito

1 de novembro de 2017


Olá pessoal, tudo bom? Fragmentos do Horror é um mangá criado pelo Junji Ito e publicada pela Darkside Books nesse ano. Sendo considerado por muitos o mestre do horror, todas as obras de Junji Ito são consumidas pelos fãs do gênero e apreciadas pelo restante do público que decide se aventurar em suas histórias. Na resenha de hoje apresentarei para vocês essa edição que contêm oito contos horripilantes, que devem ser lidos da direita para a esquerda.


Editora: Darkside Books. Ano de Lançamento: 2017. Páginas: 224.
Skoob, Goodreads. Onde comprar: Amazon, Saraiva.

O horror bem detalhado

Eu subestimei Junji Ito. Apesar de sua fama e não sendo fã do gênero, achei que não gostaria dessa obra. Ledo engano. As imagens surpreendem e sua escrita é primorosa. Porém, deixo claro que é para quem tem estômago, pois algumas são bem bizarras.

Esse mangá contêm oito contos: Futton e Tomio - Gola Rulê Vermelha, que são dois contos distintos, mas com os mesmos personagens; Monstro de Madeira; Suave Adeus; Dissecação-chan; Pássaro Negro; Magami Nanakuse; e A Mulher que Sussura.



Em Futton somos apresentados a Madoka e o Tomio, dois jovens que fugiram e vivem juntos. No momento, Tomio está assutado com alguma coisa e, por isso, não sai de dentro do seu futton. No conto nós descobriremos o que é tão apavorante assim.



Já em Monstro da Madeira, temos uma casa antiga que foi classificada como Patrimônio Cultural do Japão. E, a partir disso, recebe uma visitante que tem desejo de estudar a arquitetura da casa, pois ela a excita.



Por outro lado, em Tomio - Gola Rulê Vermelha, temos mais uma história da Madoka e do Tomio. Agora casados, eles passam problemas conjugais quando o Tomio está quase perdendo a cabeça, literalmente, por uma vidente.



No entanto, em Suave Adeus, uma das melhores premissas na minha opinião, nos mostra a Riko que tem medo da morte do seu pai. Entretanto, há uma tradição na Família Tokura sobre as mortes dos entes queridos.



Todavia, Dissecação-Chan narra sobre a Ruriko Tamiya que participa ativamente das aulas de dissecação da Faculdade de Medicina, sendo uma paciente bem incomum. Mas isso é uma tara antiga dela.


Agora, em Pássaro Negro, temos um homem que ficou um mês em uma montanha, depois de se acidentar, antes que alguém o achasse. Ele só sobreviveu graças a um estranho pássaro negro.



Em Magami Nanakuse, temos o caso da escritora de mesmo nome, que tem um jeito estranho de conseguir inspirações para os seus personagens e seus tiques. E uma fã, chamada Kaoru Koketsu, quer descobrir o segredo do seu sucesso.



E, por fim, em A Mulher que Susurra, sendo o melhor conto desse livro, nos contará sobre Mayuma, filha de uma família rica, que é incapaz de tomar decisões sozinha. Até que o pai dela contrata Mitsu Uchida, que está disposta a sussurrar no ouvido da garota tudo o que ela deve fazer.



A caracterização física dos personagens são simples, como qualquer mangá, apesar do Junji conseguir criar vários tipos de personagens diferentes. A escrita é fácil, a leitura dos quadros é fluída, mas os personagens não são tão bem construídos, já que são apenas histórias curtas. Além disso, ele tem uma preferência na abordagem dos temas, não dos personagens. Porém, as cenas em que as coisas bizarras aparecem, ele capricha nos detalhes para que o leitor possa se horrorizar.

Há uma certa limitação em se criar um quadrinho de horror, já que ele não possui as facilidades de um livro ou um filme - você consegue utilizar mais a imaginação com uma narrativa de uma obra escrita e/ou ter truques visuais e sonoros nos filmes. Então, ele tenta se focar muito nos seus desenhos, querendo chocar quem lê os seus mangás. Junji Ito não tem medo de abordar qualquer temática, seja traição, obsessão, inveja, vida após a morte, canibalismo... A lista é grande e ele sabe apresentar com os seus ótimos traços.



Fragmentos do Horror é uma coletânea de contos que pode incomodar o leitor. Para os fãs do gênero é um prato cheio, já que é uma oportunidade de ter o trabalho dele em português na coleção. Por outro lado, assim como foi para mim, é uma boa porta de entrada para quem quer conhecer e ver se gosta do trabalho desse mangaká. Lembrando, novamente, que é para quem tem coragem e estômago, pois algumas imagens podem ser impactantes. A Editora Darkside Books fez um trabalho primoroso na edição dessa obra, pois é com a qualidade que já conhecemos, desde o papel utilizado até na tradução cuidadosa. Recomendo. Muito. De verdade.