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Bruxa Akata, de Nnedi Okorafor

27 de agosto de 2018

Quer saber o que eu achei de Bruxa Akata, lançamento da Galera Record, escrito por Nnedi Okorafor? É só ler essa postagem!

Olá pessoal, tudo bom? Durante a Bienal, eu vi esse livro, que tinha sido um dos últimos lançamentos. Como a sinopse dizia que era carinhosamente chamado de Harry Potter da Nigéria, fiquei bem curiosa e resolvi me aventurar nessa leitura. Ela me surpreendeu e hoje venho contar um pouco sobre o que eu achei dela. Vamos lá?

Sunny tem 12 anos, é filha de nigerianos, mas nasceu nos Estados Unidos. Após viver 9 anos em seu país de origem, a família retorna a sua terra natal, na Nigéria. Ela, ainda por cima, é albina. Então, vive na fronteira dos dois mundos, sofrendo preconceito e não tem como passar despercebida por onde vá. 

Por ser albina, o sol não é a sua melhor amiga. Por isso, apesar de amar jogar futebol, só faz isso a noite, com os seus irmãos. Seu pai não gosta muito dela e ela acaba sofrendo abusos. Isso, somado com o bullying que sofre, faz com que ela não tenha uma vida tão feliz assim. Porém, a sua vida muda quando conhece a Chichi e o Orlu. 


Em um fatídico dia, descobre que na verdade ela é uma pessoa-leopardo em um mundo rodeado de ovelhas. Sendo uma agente livre, ela tem um talento mágico latente, ou seja, possui poderes, apesar de ter pais comuns. Logo, ela tem que descobrir quais são as suas origens e se juntará ao seus amigos e a um novo habitante, Sasha, para aprender novas técnicas. Além disso, estranhos casos de sequestros e mortes de crianças/adolescentes estão ocorrendo... será que eles conseguirá resolver o caso e acabar com esses crimes?

O livro realmente possui algumas similaridades com Harry Potter: uma menina que descobre que tem poderes; utiliza uma faca juju para conjurar magia (como uma varinha mágica); que não está tendo uma infância muito boa; que tem bons amigos para auxiliá-la em sua jornada; e, ainda, tem a grande responsabilidade de salvar o mundo. 

Entretanto, acredito que as comparações acabem aqui. A autora, apesar de ser basear na jornada do herói - tão comum nesse tipo de história -, conseguiu colocar a mitologia característica da África e criar um novo universo. Nos mostrando uma realidade da Nigéria, o país de seus antepassados, Okorafor prova que os prêmios que ganhou com a escrita não foram em vão. Ela realmente é talentosa.

Os personagens principais são pré-adolescentes, mas uma coisa que me chocou foi a mentalidade deles. Não sei se eu estou convivendo com pessoas dessa idade que agem de forma discrepante ou se a autora se propôs a criar personagens mais amadurecidos. Mas eles me chocaram em alguns momentos, pois eu imaginava algo totalmente diferente. Eu, particularmente, gostei de todos eles, pois cada um, à sua maneira, foram construídos de maneira formidável e me conquistando aos poucos. É uma surpresa, já que eu normalmente acho alguns personagens, dessa idade, bem chatinhos.

Uma coisa bem legal é ter uma protagonista feminina. Apesar de se focar entre quatro personagens, a narração é em primeira pessoa, pelo ponto de vista da Sunny. Nós estamos dentro da sua cabeça, descobrindo sobre sua nova realidade junto com ela. E, por ser uma menina que sofre abusos, é legal ver que ela descobre ser especial - e que tudo nela faz sentido pelo que ela é.

Outra coisa interessante é a igualdade de gênero: os quatro fazem parte do Clã Oha, que é "um grupo de combinação mística para a defesa contra algo ruim"; uma das característica desse clã é que sejam quatro pessoas, sendo duas meninas e dois meninos. O mundo das pessoas-leopardo é dividido em níveis de magias, isto é, quanto maior o nível, mais forte a pessoa é. Nisso, na região em que eles vivem, existem quatro pessoas que estão no nível mais alto e podem ser mentores de alunos de baixo nível: dois homens e duas mulheres. Tudo envolvendo equilíbrio e, consequentemente, igualdade de gênero.

Acrescentando, a título de curiosidade: a Sunny lê um pequeno livro sobre agente livres, para aprender o básico. Entretanto, a autora nos mostra, em cada final de capítulo, um trecho desse livro, para aprendermos junto com a personagem. Quando chega o momento em que ela já saiu do básico e começa avançar em suas lições, os trechos deixam de aparecer.

Com uma escrita envolvendo e fluída, é uma fantasia infanto-juvenil que prende o leitor em sua narrativa e nos envolve na aventura de seus personagens. Assim como ocorreu com livros como Harry Potter e Percy Jackson, esse primeiro volume traz uma história fechada, para a trama que se propõe no início, mas deixa várias questões e arcos abertos para nos mostrar que terão outras obras continuando a expandir esse universo.

E vocês, já leram esse livro? Querem ler? Qual é a opinião de vocês?

Comentários
12 Comentários

12 comentários :

  1. Olá, Dani.

    Sinceramente, se fosse escolher o livro pela capa, eu passaria longe desse, achei a capa muito feia.
    A respeito da história, a personagem sofre bastante por ter tantos problemas e ainda ter uma doença que não é bem aceita na sociedade e é motivo de chacota.
    Se eu tivesse a oportunidade de ler o livro, talvez eu daria uma chance...

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  2. Oi Dani!

    Tudo bem? Então, estava indo tudo muito bem até que li que os personagens são pre-adolescentes. Histórias com personagens mais novos assim e/ou adolescentes não funcionam pra mim porque os dramas e descobertas da idade geralmente não funcionam pra mim.

    Essa capa é horrorosa, sério, a GR errou feio, mas fico feliz que a história tenha compensado isso para você e que os personagens tenham se mostrado bem interessantes e com uma mentalidade mais madura. Honestamente não vou ler, mas vou indicar pra minha irmã.

    Beijinhos
    www.paraisoliterario.com

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  3. A personagem sofre demais durante a história, você disse que é parecido com HP, vai que seria uma especie de releitura né? Ás vezes.
    Eu leria apenas por ser semelhante a HP!
    E essa capa hein? Ainda bem que a história foi boa suficiente!

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  4. Oi.

    Quando eu vi esse livro, pensei que ele fosse um pouco mais infantil, mas que bom que eu estava errada. Confesso que gostei muito dessa semelhança com Harry Potter, já que eu amo a história do bruxinho. Gostei muito da trama, do fato dos personagens, mesmo tendo essa idade, são mais maduros, não tendo aquela mentalidade de jovens com a idade que eles tem. Agora quero muito poder ler o livro.

    Beijos.

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  5. Oi, Dani.
    Ainda não conhecia esse livro, mas agora estou muito curiosa!
    Adoro livros de fantasia e curti a ideia de conhecer mais sobre a mitologia africana que essa história traz.
    Dica anotada!
    beijos
    Camis - blog Leitora Compulsiva

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  6. Olá! Aaahhhhh que tudo esse livro!! Eu lembro que li um livro há muitos anos, tinha uma mulher negra enrolada numa cobra, e se passava numa tribo africana onde as mulheres eram as líderes, e esse livro me marcou tanto que lembro até hoje, mesmo que tenha esquecido o nome.. Adorei a premissa da personagem ter magia, e de como ela vai descobrir suas habilidades e ainda capturar esse assassino. Adorei de verdade!

    Bjoxx ~ www.stalker-literaria.com

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  7. Pra ser sincera essa comparação com Harry Potter me deixou um pouquinho irritada porque querendo ou não já vamos com um juizo de valor já pronto. Apesar de ter achado a narrativa um pouco massante por ser descritiva demais, sem dúvida alguma foi um livro que me contemplou demais, acho que foi a primeira obra sobre mitologia africana que li e isso com certeza abre tantas outras portas para novos escritores.

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  8. Olá!
    Vi esse livro esses dias e achei interessante a premissa. Gostei de saber que tem uma proposta colocando mais informações sobre mitologia africana, acho que nunca li nada parecido.
    Estou curiosa com a história de Sunny.
    Beijos!

    Camila de Moraes

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  9. Olá, Dani!

    Eu nunca tinha ouvido falar desse livro! É a primeira resenha que leio sobre ele e apesar das semelhanças que possa ter com Harry Potter (que amo), me parece uma história bem diferente, única no seu gênero. Por trazer toda essa questão da mitologia africana, da cultura da região, da História, misturando tudo com fantasia me atrai. É uma história que vou querer ler. E ainda tem a igualdade de gênero, que é muito bem-vinda na obra.

    Bjs!

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  10. Olá!
    Só de ler que é chamado de Harry Potter da Nigéria fiquei animada de ler! A premissa é realmente muito legal e que booom que as comparações sejam só essas, pq aí temos um mundo novo, com novas possibilidades, isso me anima ainda mais. Dica anotada, quero muuuito ler!!!

    Traveling Between Pages

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  11. Eu ainda não li mas quero muito ler esse livro, achei muito bacana o fato de ser protagonizado por uma garota e ter essa ambientação na Nigéria. Foi a primeira resenha que li dele e já estou com uma vontade enorme de comprar.

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  12. Hey!
    Eu vi a hype do lançamento desse livro e achei que fosse mais infantil.
    Mas essa capa é bem estranha, né? Kkkkk
    Não sei se lerei, mas sua resenha deixa uma curiosidade no ar que me instiga. Dica anotada.
    Beijos
    www.manuscritoliterario.com.br

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