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Jogador Nº 1, de Ernest Cline (+ Próximo Capítulo)

22 de janeiro de 2018


Olá pessoal, tudo bom? Estou participando da Jornada MLV, organizada pelo Geek Freak. Sendo do time dos guerreiros (Galteiro), tenho, pelo menos, quatro missões para cumprir. Uma delas era para escolher um livro que eu sempre tive medo de ler. Em vez de optar por uma obra que me assustaria, decidi que leria Jogador Nº 1, de Ernest Cline, pois como ela é super elogiada, tinha medo de ler e não gostar. Bobo, não é? Mas decidi deixar esse receio de lado e começar a leitura... E como fui surpreendida! Eu deveria ter lido esse livro antes e, hoje, detalharei sobre tudo o que senti. Além disso, eu estou participando de um projeto muito legal chamado Próximo Capítulo, então contarei os detalhes no final da postagem. Fiquem de olho!

Editora: Leya. Ano de Lançamento: 2012. Páginas: 464.
SkoobGoodreads. Onde comprar: AmazonSaraiva

Uma realidade virtual bem real

O ano é 2044 e a vida não é a que conhecemos hoje. O governo é ausente e a população sofre muitas dificuldades. Em contrapartida, há um mundo utópico de realidade virtual em que as pessoas - com um preço baixíssimo, óculos e luvas -, conseguem viver da maneira que desejam. Você cria o seu personagem e o controla do jeito que quiser.

Um dos criadores desse programa é um bilionário que acabou morrendo. Então, ele decidiu doar toda a sua fortuna para quem conseguir encontrar as pistas e passar as "fases" criadas por ele no jogo. Wade Watts, um rapaz de 18 anos, conseguiu achar a primeira pista e agora todo mundo está atrás dele ou se juntando em sua caçada. O melhor é que, para você conseguir vencer, deve conhecer bastante dos anos 80, época em que o criador viveu a sua adolescência. E, com personagens entrando em cena e assuntos importantes sendo mencionados, a história se desenrola.

Quando me sentia deprimido e frustrado com a vida, só precisava apertar o botão do Jogador 1 e meus problemas sumiam de minha mente instantaneamente.

Gostaria de deixar claro aqui, nesse ponto, que eu sou fã da década de 80. Apesar de ter nascido e crescido nos anos 90, passei a admirar a cultura envolta da década anterior. Filmes, músicas e séries fazem parte da minha rotina diária, já que meus pais são os grandes incentivadores sobre esse tema. Portanto, foi uma sensação maravilhosa ler um livro que praticamente é uma homenagem a essa época.

Capitão América ficaria louco com a quantidade de referências presentes na obra.  Eu, por outro lado, fiquei admirada de como o autor conseguiu mesclar esse assunto e a história em si. Para mim, pelo menos, não fica enfadonho ou chato. Na realidade, eu ficava sempre procurando esses easter eggs e me alegrava quando entendia o que estava sendo mencionado. Se você gostou do novo filme de It, a Coisa e de Stranger Things, saiba que também poderá gostar de Jogador Nº 1, pois a ambientação é a mesma.

Ser humano é uma porcaria na maior parte do tempo. Os videogames são a única coisa que tornam a vida suportável.

O que eu mais gostei (além das referências) foi como o Ernest Cline criou uma narrativa fechadinha, sem furos. Enquanto lia, apareciam algumas situações que logo eram esquecidas e eu me questionava sobre os motivos dele mencionar aquilo e deixado de lado. Porém, quando eu menos esperava, ele explorava a circunstância citada e tudo fazia sentido novamente. Então, se você estiver lendo e deparar com um caso parecido, saiba que há uma razão.

Se alguém me perguntasse para eu definir o gênero desse livro, eu não conseguiria. Ernest escreveu uma história que é de distopia, de ficção científica (com ares de cyberpunk), e romance. É tudo misturado, mas de uma maneira que deu certo. E sim, há um romance. Entretanto, ele não é desenvolvido em toda a trama, já que não é o foco principal da história. Eu, particularmente, gostei disso, pois condiz com o tipo de obra que o autor quis criar. É sobre uma caça ao tesouro, não um romance adolescente.

Você sabe que acabou com sua vida quando o mundo todo se fecha e a única pessoa com quem você pode conversar é o seu software de agente de sistema.

Além disso, ele consegue apresentar diversas temáticas importantes como o machismo e o racismo - além de ter pinceladas leves sobre a homofobia e gordofobia. Ali, vemos que a humanidade não mudou e, com o poder de criar um personagem com características físicas que quiser, muitos optam por homens brancos héteros, para não sofrerem preconceito dentro do jogo, da mesma maneira que sofrem cotidianamente. Ou de como, ao criar uma personagem feminina e você ser boa no que faz, alguns acreditam que é um homem por trás dos óculos, pois não conseguem imaginar uma mulher ser bem-sucedida.

Outro ponto interessante é sobre o mundo virtual versus o mundo real. Isso não é só destacado no livro, mas podemos fazer um paralelo com a nosso cotidiano. As vezes ficamos tão obcecados nas redes sociais e a vida perfeita que as pessoas postam, por exemplo, que esquecemos de viver a vida real. Quantas vezes você já foi em um restaurante e viu as pessoas sentada nas mesas, comendo e mexendo no celular, em vez de conversar com as pessoas que estão ao seu lado? O mesmo ocorre no futuro não tão distante desse livro, em que as pessoas preferem a realidade virtual do OASIS.

Um lugar agradável para que o mundo se escondesse de seus problemas enquanto a civilização humana lentamente ruía, principalmente por negligência.

Outro assunto, como as consequências que teremos em relação a natureza e a maneira de como a tratamos, foi representado. Nós sabemos que estamos matando o nosso planeta e que muitas matérias-primas não são eternas, mas não pensamos como será o nosso futuro sem elas. E isso é retratado na trama, com um mundo miserável e sem esperança, enquanto eles revivem os anos 80 e pensam como aquela época era boa.

De maneira geral, é uma trama clichê em que um casal e alguns amigos estão lutando contra um vilão, para que o bem vença o mal no final, com a ajuda de um mestre. Além disso, a maioria é jovem e eles teriam a capacidade de ganhar. Todavia, apesar de ser uma trama adolescente e a narrativa condizer com isso, sendo leve, consegue trazer debates - como descrito acima - e te envolver nas dificuldades que eles passam.

É preciso deixar um pouco mais difícil essa conquista, para que a vitória fácil demais não desmereça o preço.

Para finalizar, uma circunstância interessante de citar é que os personagens são bem inteligentes. Lógico que quem está concorrendo, para ganhar uma fortuna, deve ter algo acima da população comum para merecer. Então, não se assustem ao perceber que o Wade decorou as falas de um filme, incluindo o sotaque e a entonação de acordo com o humor de quem está sendo representado. Ou que ele faça outras coisas tão mirabolantes para vencer.

O livro é daqueles que você lê e nem percebe o tempo passar. Usando e abusando da nostalgia, Ernest Cline cria uma trama envolvente e que te faz refletir sobre diversos temas importantes para a nossa sociedade. E apesar de ser uma história adolescente previsível, consegue nos fazer entrar dentro de um videogame e nos apaixonarmos por sua história. Eu recomendo muito que você leia, se você gosta dos pontos que citei ao longo da resenha, pois sei que você se encantará, assim como eu.

Clube Literário: Próximo Capítulo


Ano novo, parcerias novas. O Próximo Capítulo é um clube literário no qual o Instantes Memoráveis estará participando. A ideia é falar sobre livros seja por temas, maratonas, tags e, posteriormente, sorteios. Criamos o Próximo Capítulo com o intuito de ser, não apenas um projeto sobre livros, mas uma forma de dizer sobre eles de um jeito diferente: as opiniões e gostos variam. Assim, todas as postagens do clube que você encontrar aqui, também será encontrada nos parceiros abaixo:


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