Afiliados

M ou N?, de Agatha Christie

9 de fevereiro de 2018


Olá pessoal, tudo bom? Apesar de não ter lido durante a Maratona MLV, M ou N?, da Agatha Christie foi uma das minhas escolhas e, sendo a minha escritora favorita, não pude deixar de ler. Então hoje vocês poderão ver o que eu achei dessa obra!


Editora: HarperCollins Brasil. Ano de Lançamento: 2016. Páginas: 194.
SkoobGoodreadsOnde comprar: AmazonSaraiva.

Espionagem e traição no meio de uma Grande Guerra

O cenário é a Segunda Guerra Mundial e "M ou N?" se inicia Tommy e Tuppence reclamando que não tem nenhum trabalho. Então, como em um passe de mágica, ele é convidado a colaborar com o Serviço Secreto Inglês e investigar sobre um caso de espionagem, onde nazistas estão inseridos no comando inglês. Ele deveria trabalhar sozinho, mas logicamente a sua mulher descobre sobre o assunto e acaba se infiltrando na investigação.

Eles se deslocam até uma pensão na Escócia, onde um agente inglês foi morto. Ele é que, anteriormente, estava liderando esse caso, mas foi atropelado de maneiras suspeitas enquanto avançava em sua pesquisa. A única pista deixada foi um bilhete, escrito M ou N, que dá a entender que são duas pessoas a serem procuradas - e elas devem estar hospedadas nessa pensão.

Há diversos suspeitos, entretanto, não vou citar cada um deles para que vocês sejam apresentados durante a leitura e consigam tirar as suas próprias conclusões. Dessa maneira,  conseguem ter a experiência completa da autora.

Confesso que, apesar de amar a Agatha Christie, esse foi um dos livros que menos gostei dela. Isso não quer dizer que é ruim, pelo contrário, eu me vi envolvida na história - como de praxe nas suas obras. Entretanto, comparando com os seus outros trabalhos, esse não ganhou o meu amor incondicional.

Um dos fatos é que não é um caso de assassinato como normalmente vemos nas obras dessa autora, já que os detetives estão disfarçados e não estão investigando a morte do agente a céu aberto. Então, o ritmo da narrativa, nesse caso, é mais lento. Além disso, combina totalmente com o lugar e as pessoas que lá se encontram, que é uma casa de interior onde os hóspedes estão fugindo da guerra e querem um pouco de paz.

Para acrescentar, essa foi a primeira vez que me encontrei com Tommy e Tuppence. Normalmente, escolho livros do Hercule Poirot e Miss Marple para me aventurar. Não sei se é porque foi o meu primeiro contato com os dois, que já estão mais velhos e citam casos que desconheço, mas não me vi cativada por eles logo de cara.

O Tommy não me agradou, era meio sem sal e não ajudou tanto nas investigações. Tuppence, por outro lado, é bem astuta, mas também senti falta de algo. Para não dizer que desgostei totalmente do casal, eu adorei as interações entre eles e os diálogos, que logo se tornaram as melhores partes durante a investigação.

O final, como sempre, foi surpreendente. Apesar de desconfiar, por saber como a autora trabalha, ela conseguiu me espantar com todos os detalhes e como tudo se desenrolou no fim. Há bastante ação e, durante o desfecho, eu não conseguir largar o livro nem para beber água, rs.

Portanto, eu recomendo "M ou N?", como de costume quando se refere a Rainha do Crime. É uma leitura fluída, fascinante e que consegue prender a atenção do leitor, apesar das ressalvas citadas. Se você gosta de casos de espionagem e mistérios, esse livro é perfeito para você!

O livro, publicado pela Editora HarperCollins Brasil, teve uma nova edição criada especialmente para um box da escritora Agatha Christie. As folhas são amarelas, mas finas e a capa é dura. As ilustrações da capa são lindas e o box é feito com material de qualidade (não vai amassar por qualquer coisa). Ou seja, é realmente é maravilhoso!



Book Tag: Que Tiro Foi Esse?

8 de fevereiro de 2018


Olá pessoal, tudo bom? É lógico que a música Que tiro foi esse, da Jojo Maronttinni, virou uma febre e acabou se transformando em um meme. Já estamos cansado de ver os vídeos disso, mas não é que se transformou até em uma Book Tag?

Thaís, do Pronome Interrogativo, criou alguns itens para serem respondidos com base na letra desta música. A tag fez sucesso e eu não podia ficar de fora da brincadeira, né? Com tudo explicadinho, só falta vocês conferirem as minhas respostas!


1. Que tiro foi esse?: Um livro que te deixou no chão, morto, estatelado.


Eu escolhi o primeiro tiro que tive no ano: Tartarugas Até Lá Embaixo, do John Green. Um livro jovem adulto em que o tema principal é o TOC - Transtorno Obssessivo Compulsivo. Sendo uma pessoa que sofre disso, John Green escreve uma obra muito pessoal, mas que também me deu vários tapas na cara. Me mostrou como a doença realmente funciona e eu fiquei realmente chocada. Foi tiro atrás de tiro.

2. Samba na cara da inimiga: Um livro que foi o melhor de todos de algum gênero.


Eu pensei muito sobre esse item antes de me decidir sobre a resposta. Sou uma pessoa que lê diversos gêneros, então fica difícil escolher um só (além de ter que tomar a decisão sobre qual obra é melhor). Porém, acabei optando por um que eu não falo tanto: drama.

Eu amo livros deste gênero, mesmo os que me façam chorar. Além disso, se passando na Segunda Guerra Mundial só aumenta os motivos para eu gostar de uma obra. Envolvendo crianças que passam dificuldades, então? As chances de amar são grandes. E não foi diferente com A Guerra que Salvou a Minha Vida, da Kimberly Brubaker Bradley.

Essa história é linda! Conta sobre Ada, de dez anos, que tem um pé torto. Por causa disso, sofre maus-tratos da própria mãe e nunca brincou fora de casa. Com a chegada da guerra, as crianças são enviadas para o interior e é lá que a vida da menina muda totalmente. Em breve a resenha será publicada.

3. Desfila com as amigas: Uma série, trilogia e duologia que é incrível do início ao fim.


Fiquei imaginando qual série eu poderia escolher, quando me lembrei de Percy Jackson e Os Olimpianos, do Rick Riordan. Eu li há sete anos e devorei cada um dos volumes. No começo, só tinha os dois primeiros livros. Entretanto, depois de lê-los, acabei adquirindo toda a saga e continuei lendo rapidamente.

Para quem não sabe, o autor mistura mitologia grega com a modernidade do século XXI. Contando a história de Percy, um adolescente que se descobre meio-sangue. Enquanto tenta se manter vivo, embarca em uma aventura para manter o seu nome limpo e tem que enfrentar diversos desafios. Como faz muito tempo que não leio, estou com vontade de fazer uma releitura e ainda ler os outros livros do autor que ainda não tive a oportunidade de conhecer.

4. Quer causar, a gente causa: Um livro que você amou ou odiou e a maioria das pessoas teve uma opinião diferente da sua.


Não gostei do livro Amor de Todas as Formas, publicado pela Editora Pandorga. Esse é um livro com cinco contos românticos escrito por M.S. Fayes, Raiza Varella, Tatiana Amaral, JC Ponzi e Mila Wander. Confesso que eu, na verdade, coloquei grandes expectativas, já que é um trabalho de grandes escritoras nacionais do gênero. Entretanto, confesso que só gostei das histórias da M.S. Fayes e da Raiza Varella. Uma pena, já que a premissa era ótima e, pelo menos pela nota do Skoob (4 estrelas, de 5), muita gente gostou!

5. Quem olha nosso bonde, pira: Um livro que você pira só de olhar a capa.


Eu acho que não preciso dizer mais nada quando mostro que o livro mais lindo da minha estante é o Alice's Adventures in Wonderland and Other Stories, que faz parte da Barnes & Noble Collectible Editions. Foi uma das melhores aquisições que já fiz na minha vida e valeu cada centavo pago. Não só a capa, mas toda a edição é maravilhosa e tenho orgulho de ter na coleção! 

E vocês, gostaram dessa tag? Concordam ou discordam das minhas respostas? O que vocês responderiam no lugar?



3 Motivos Para Assistir "I'm Not a Robot"

7 de fevereiro de 2018


Olá pessoal, tudo bom? I'm Not a Robot foi um k-drama que estreou no fim do ano passado e que me conquistou desde o início. É tanta fofura que eu quase vomitei arco-íris enquanto assistia, mas que também me fez ficar com o coração na mão em algumas partes. Para quem não conhece, hoje darei três motivos para você conferir e talvez se apaixonar.

Episódios: 32. Emissora: MBC. Ano: 2017-2018.

Sinopse: "Kim Min Kyu (Yoo Seung Ho, Ruler: Master of the Mask, Operation Proposal) é um gênio, e o principal acionista da KM Financial, a maior empresa financeira do país. Ele nunca teve uma namorada, e diz ser "alérgico" a humanos. Jo Ji Ah (Chae Soo Bin, Strongest Deliveryman), é uma empresária ambiciosa e um prodígio na engenharia mecânica. O ex-namorado dela, Hong Baek Kyung (Uhm Ki Joon, Masked Prosecutor) é um renomado professor de engenharia que cria uma android chamada Aji-3 que é exatamente igual a ela. Devido a um conjunto de circunstâncias estranhas, Ji Ah Jo acaba fingindo ser a Aji-3. Agora ela está no meio de um estranho triângulo amoroso entre dois gênios, e a pressão para sustentar uma mentira pode fazer qualquer pessoa se sentir um pouco robotizada."

1. Enredo Diferentão

Eu conheci os dramas asiáticos no ano passado e me viciei. Apesar de não ter assistido a uma lista imensa, é comum ver sempre o mesmo enredo quando o gênero é comédia romântica. Clichês que frequentemente aparecem em filmes/livros/séries - e que, pelo jeito, o pessoal do outro lado do mundo também gosta. Porém, quando li a sinopse de I'm Not a Robot já percebi que seria diferente. Um mistura de ficção científica com romance? É incomum para o entretenimento asiático. E não é que deu certo?

A trama é bem simples de se entender: Dr. Hong Baek Gyun (Uhm Ki Joon) é um engenheiro robótico, mas foi acusado de plágio. Ele não desiste e, usando como base a sua ex-namorada Jo Ji Ah (Chae Soo Bin), cria uma robô chamada Aji-3 juntamente com a sua equipe, Santa Maria. Porém, ela não foi totalmente finalizada e ele precisa de investimento.


Sabendo que Kim Min Kyu (Yoo Seung-Ho) é o diretor financeiro de uma grande empresa, lhe pede uma reunião para mostrar a sua mais nova criação. Min Kyu tem uma doença rara e percebe que aquela pode ser a solução perfeita para ter contato com outro ser, então exige que a robô seja enviada para a sua casa para passar por testes. O único problema é que a robô fica com defeito e não há mais tempo para o conserto antes de ser mandada para o empresário. Como uma última esperança, Baek Gyun faz o convite para que a sua ex-namorada finja ser a robô por um dia em troca de dinheiro. Precisando exatamente do valor oferecido - olha a coincidência -, a Ji Ah aceita o convite, sem imaginar como seria difícil e que não seria por apenas algumas horas.


Meio louco, certo? E se pensarmos bem, como é que o Min Kyu foi enganado, sendo um empresário inteligente? Somente na ficção, lógico, mas a gente releva e continua assistindo para ver toda a confusão que isso dará quando a verdade surgir - e essa questão acaba sendo irrelevante diante das circunstâncias.

2. Personagens apaixonantes 

Kim Min Kyu é um homem solitário. Devido a um trauma de infância, possui uma alergia ao contato humano. Portanto, se por algum motivo ele encostar em outra pessoa, começará a ter crises alérgicas que poderão levá-lo a morte. Apesar de ser o diretor financeiro da KM Financial e ter muito dinheiro, não consegue curar a sua doença rara, por isso não tem amigos ou um relacionamento amoroso.

Quando lhe é mostrado a Aji-3, ele se lembra dos 15 anos em que passou completamente sozinho e vê a oportunidade da situação mudar com a presença de uma robô. Esta, não lhe daria nenhum sintoma e, ainda por cima, poderia ajudá-lo em muitas coisas. E, aos poucos, ele fica dependente da companhia desta inteligência artificial e a vê como uma amiga, confiando completamente nela. Logicamente, ele não sabe que é uma pessoa fingindo.


Jo Ji Ah é uma mulher que consegue ter ótimas ideias desde quando era criança. Só que as suas criações não são daquelas que venderiam para milhares de pessoas - apesar de serem incríveis e que poderiam mudar a vida de quem adquirisse - e ela é desvalorizada. Desempregada e fazendo o que for preciso para juntar dinheiro e continuar com as suas invenções, aceita se passar por uma robô. Só não imaginaria a confusão que ia gerar, ainda mais ao desenvolver sentimentos pelo Min Kyu, sem saber de sua doença.


Claro que há diversos outros personagens, mas os que tiveram mais destaque, para mim, foram o Santa Maria Team e a Sun Hye, melhor amiga da protagonista. O primeiro era formado por quatro pessoas: Hong Baek-Gyun (Uhm Ki-Joon), Pi (Park Se-Wan), Hoktal (Song Jae-Ryong) e Ssanip (Kim Min-Kyu). Eles eram realmente uma equipe, que não só trabalhavam em conjunto, mas também eram uma família junto com o casal. Todos eles tinham suas particularidades, qualidades e defeitos, mas se complementavam e se davam bem. A Sun Hye, por outro lado, era a melhor amiga que se podia ter, já que estava sempre ali dando conselhos e apoiando. Além disso, ela sempre tinha as melhores falas, eu ficava abismada com a sua mentalidade.


Existiram outras pessoas como a família de cada um dos protagonistas, além dos antagonistas - que estavam ali para atrapalhar a vida dos mocinhos e se dando mal. Porém, eles nem devem ser mencionados, já que estamos falando de personagens apaixonantes, rs. Apesar disso, devo dizer que as atuações foram ótimas e o elenco combinou perfeitamente. Não conseguiria imaginar outras pessoas trabalhando nesse drama!

3. Trama envolvente e engraçada

Quando eu vi esse drama sendo divulgado, já imaginei que seria daqueles que eu me viciaria e ficaria ansiosa para os próximos episódios. Pensando nisso, esperei que mais da metade deles já tivesse sido exibido no país de origem antes de começar a assistir. Todavia, o tiro saiu pela culatra, já que não conseguia aguentar a minha ansiedade e assistia com as legendas ainda em inglês no Dramafever.

O roteirista realmente soube como criar uma trama envolvente e engraçada. Em diversos momentos eu me vi suspirando, em outros abrindo um sorriso e, ainda por cima, me emocionei em algumas partes. Ele sabe mesclar os temas sem ficar pesado. Pelo contrário, é um enredo leve e apaixonante!


Min Kyu viveu sozinho por muito tempo e suas interações com outras pessoas foram mínimas. Por isso, em muitos momentos, suas reações são inocentes e fofas. Já o seu contato com a Ji Ah fingindo ser uma robô eram incríveis e eu sempre dava risada com essas cenas. Ademais, ela é muito encantadora e um verdadeiro tesouro.

A química entre os atores era adorável. Tanto é que eu torci para os personagens ficarem juntos desde o início. O amor foi surgindo aos poucos e eles eram tão fofos juntos. Dava para perceber, com ações e diálogos, os sentimentos que ambos sentiam. Eles se complementavam perfeitamente.


Toda a história é fechada e nenhum detalhe foi deixado de lado. No final, eles conseguiram se lembrar de coisas que ocorreram no começo e dar boas explicações. No entanto, ao longo do drama foram levantadas questões e deixavam o telespectador confuso sobre determinadas situações, incluindo sobre a doença do Min Kyu, mas tudo foi esclarecido até o desfecho. E, claro, deram a conclusão certa para todos os personagens - inclusive a robô.

Eu realmente recomendo essa série. Como dito, pode ter uma premissa meio maluca, porém é muito mais do que está descrito na sinopse. É uma ótima comédia romântica e, apesar de ter 32 episódios, dará menos de 16 horas ao total. Com uma história linda e sincera, nos dá uma lição sobre relacionamentos e nos mostra que nem sempre a vida é tão lógica quanto a ciência propõe. É para se apaixonar, se emocionar e rir a cada episódio. 

Para finalizar, essa é a linda trilha sonora da série:


Enfim, esses foram alguns motivos pelo qual você deveria assistir a esse k-drama! Você já o viu? Se interessou? Comente!

Onde assistir: Dramafever Viki.



Os Goonies, de Steven Spielberg

6 de fevereiro de 2018


Olá pessoal, tudo bom? Os Goonies é um filme lançado em 1985 que me ensinou muito sobre a amizade. Foi produzido pelo Steven Spielberg e escrito em conjunto com Chris Columbus. Conquistou diversos fãs pelo mundo e é dito como um clássico dos anos 80. Logo após, James Khan escreve a sua romantização, que foi a primeira publicação da Darkside Books em 2012. Porém, em comemoração aos 30 anos do longa, a editora resolveu criar uma versão especial de aniversário, em uma edição belíssima que eu tive que adquirir. Hoje, dividirei com vocês um pouco sobre o que eu achei dessa obra. 

Editora: Darkside Books. Ano de Lançamento: 2014. Páginas: 240.
SkoobGoodreads. Onde comprar: AmazonSaraiva

Uma aventura nostálgica

Os Goonies tem como base a caça ao tesouro liderado por um grupo de amigos intitulados Goonies (lógico!), que é composto por quatro pré-adolescentes: Mickey, Bocão, Dado e Gordo. Eles estão chateados que não serão mais vizinhos, já que todas as casas da vizinhança foram hipotecadas e serão destruídas para se transformarem em um campo de golfe. O prazo para pagar a dívida estava acabando, mas logicamente ninguém ali tinha condições de fazer isso. 

Tentando se animar e querendo passar um dia divertido juntos, exploravam o porão de Mikey quando se deparam com um mapa do tesouro. Nele, estão instruções para encontrarem uma riqueza escondida pela Willy Caolho e eles decidem que esta é a última esperança. Juntos, se unem com outros personagens e embarcam em uma aventura repleta de armadilhas, vilões e muita confusão. Um filme perfeito de Sessão da Tarde.

Portanto, esta é a história do que aconteceu naquele último longo dia do outono passado, o dia antes do nosso despejo. E eu sei que uma boa parte desta história vai parecer difícil de engolir, mas juro por Deus que cada palavra é verdadeira.

Acredito que não há necessidade de ficar se estendendo na sinopse, já que é um filme antigo que permeou a infância e adolescência de muita gente. Como dito, é um clássico infantojuvenil e isso é justificável. Inclusive, muitas produções tiveram grande influência desse longa em sua concepção e um dos exemplos mais recentes é Stranger Things. Portanto, se você é fã da série, mas ainda não assistiu ao filme... O que está esperando? rs

Confesso que esta é uma das minhas histórias preferidas da vida. Assim sendo, logo após o lançamento do livro (quando ainda era uma versão brochura), eu comprei e li assim que o tive em mãos. Depois de ver a edição comemorativa, não pude deixar de comprar novamente e ter na minha estante. Sim, eu tenho duas versões de um mesmo livro, mas é porque eu realmente gosto da trama.

Apesar disso, percebi que nunca fiz uma resenha para compartilhar a minha opinião. E eu devo remediar, pois é uma obra que eu deveria panfletar para que todos possam ter uma edição em casa e se aventurar sempre que quiserem. É uma história maravilhosa e que merece ser apreciada. Ademais, a editora criou a sua versão de um mapa que vem junto ao livro, então o que mais um fã poderia querer?

Se houvesse alguma ferrovia na cidade, nós provavelmente estaríamos do lado errado, pelo menos é o que pensariam  as pessoas que fazem parte do Country Club Hillside.
Eles são os únicos que chamam isto aqui de Docas Goon e chamam a nossa gente de Goons. Tudo bem por nós, no entanto, porque gostamos de quem somos. Por isso chamamos a nossa turma de os Goonies.

Por outro lado, James Khan optou por uma narrativa em primeira pessoa sob o ponto de vista de Mikey. Isto poderia ser falho, já que o filme tem várias cenas em que o menino não estava presente, então como ele poderia narrar? Porém, fui surpreendida enquanto lia, já que ele usou de outros artifícios e não deixou nada de lado. Valendo-se de recortes de jornal, além do narrador relatar a parte de outra pessoa - como se lhe tivessem contando a história mais tarde -, ele conseguiu romantizar o longa-metragem completamente.

Fazendo o processo inverso do que estamos acostumados, que é adaptar um filme para um livro, o autor fez um trabalho espetacular. Com um enredo linear e uma narrativa fluída, me fez sentir como se estivesse assistindo ao filme na minha cabeça enquanto lia. E essa leitura me trouxe um mix de sensações, mas a maior delas não poderia ser outra: nostalgia. A trama me remeteu a minha infância e tudo o que eu sentia quando vi o filme pela primeira vez. Todos aqueles sentimentos gostosos estavam presentes e sentir isso novamente foi fabuloso.

"Se eu encontrasse qualquer tesouro com aquele mapa,” eu disse, “eu pagaria as contas todas do pai e compraria a hipoteca, e então talvez ele conseguiria dormir à noite, em vez de ficar sentado, tentando encontrar uma maneira de ficarmos aqui.” 

A história se preserva: a união, amizade, companheirismo e esperança estão retratados em todas as páginas. As características dos personagens também se mantiveram e é ótimo revê-los nessa aventura. E, aliás, é uma leitura tão envolvente que pareceria que eu estava dentro da história e fazia parte dos Goonies. Fiquei muito entusiasmada enquanto lia, mesmo que em alguns momentos o ritmo se perdesse um pouco. Mas nada alarmante, já que logo eu me via com o coração na mão novamente - mesmo conhecendo cada detalhe.

Se você é fã do filme, não deve deixar de adquirir essa obra. Se você ainda não assistiu, está perdendo tempo, pois deveria ter feito isso há anos! E devo dizer que essa edição comemorativa é linda, como de praxe da Editora Darkside, com vários detalhes (além do mapa mencionado anteriormente). Realmente vale a pena ter essa versão na coleção. É perfeito para todos que amam essa trama!


Meu Amigo Dahmer, de Derf Backderf

5 de fevereiro de 2018


Olá pessoal, tudo bom? No ano passado, a Editora Darkside resolveu se aventurar na publicação de histórias em quadrinhos, para a surpresa de muitos. Mantendo a qualidade de suas edições,  trouxe alguns sucessos e que pode surpreender o leitor. Eu já havia lido Fragmentos do Horror, de Junji Ito, anteriormente, mas resolvi me aventurar na história de Meu Amigo Dahmer, criado Derf Backderf. Confiram um pouco sobre essa obra magnífica!


Editora: Darkside Books. Ano de Lançamento: 2017. Páginas: 288.
SkoobGoodreads. Onde comprar: AmazonSaraiva

A inesperada história real de um serial killer

Jeffrey Dahmer, para quem não sabe, foi um serial killer, conhecido como O Canibal de Milwaukee. Se você fizer uma rápida pesquisa, ficará horrorizadx - como tantas outras histórias parecidas -, sobre o que ele fez. Foi responsável pelo assassinato de 17 garotos entre 1978 e 1991. Além do homicídio, seus crimes envolveram estupro, necrofilia e canibalismo. Mas o que muito se discute é sobre como a criação e convivência de uma pessoa pode afetar a sua personalidade e transformá-la em um assassino. Será que, se você tivesse estudado com o Dahmer, desconfiaria que, mais tarde, ele se tornaria um criminoso?

Assim como outros assassinos em série, ele teve uma infância difícil. Os pais brigavam constantemente, sendo o pai ausente e a mãe frágil. Era uma criança introvertida e tímida. Na adolescência sofria bullying, era solitário e tinha que lidar com desejos estranhos. Começou, como muitos outros, coletando animais mortos para examinar os seus corpos. Porém, depois de um tempo, foi "evoluindo" e torturou animais vivos. Logo depois, vieram o álcool e os crimes.


Se quiserem saber a fundo sobre a sua vida, além dessa história em quadrinhos, há diversos artigos na internet discorrendo sobre o assunto. Vocês encontrarão, em detalhes, sobre os seus crimes, além de análises psicológicas sobre a sua mente. Mas é para quem tem estômago forte, pois o que ele fazia era repugnante e pode chocar quem ainda não conhece.

Por outro lado, será que os professores e pais poderiam ter previsto que isso aconteceria? Será que, a maneira com que ele se portava na escola, demonstrava a sua vontade pelo homicídio? Será que os colegas tinham influência em suas ações? Será que, esses mesmos colegas, poderiam ter descoberto os segredos que ele mantinha?


Intercalando entre a ilustrações e uma narrativa escrita, o desenhista traz uma trama linear e nos conta uma história sob o seu ponto de vista. Em nenhum momento ele justifica as ações do criminoso, mas me deu a sensação de tentar se livrar da própria culpa, criada pelo descaso. A verdade é que ninguém tentou ajudar Dahmer e os resultados disso foram catastróficos.

Revivendo a época em que estudou com ele, Derf Backderf fez uma longa pesquisa, não só na sua própria memória, mas com ex-colegas e professores. Além disso, ele usou arquivos do FBI e, inclusive, entrevistas que Dahmer concedeu antes de sua morte para elaborar o seu material. Assim, conseguiu criar uma história completa, sem se focar somente em lembranças desconexas. Todas as fontes são mencionadas ao fim da edição, junto com materiais extras.


Com traços característicos do artista, ele consegue "suavizar" a narrativa e não convertê-la em uma história de horror. Ali, o autor quis transmitir, realmente, como foi a sua convivência com Dahmer na adolescência e não o que o mesmo fez quando era mais velho. Ele retrata a desatenção dos adultos, a indiferença dos ditos amigos (que não eram considerados amigos mesmo) e como tudo poderia ser diferente se alguém tivesse se importado em dar um pouco mais de atenção as suas ações enquanto jovem.

É ótima HQ e que, inclusive, ganhou um prêmio na França. Devo ressaltar que não há cenas fortes envolvendo pessoas, somente algumas pequenas partes envolvendo animais (que era a sua rotina enquanto crescia). Porém, o autor não deixa de transmitir, em texto, alguns fatos sobre o serial killer, tentando nos demonstrar um pouco sobre este caso. Se você ainda não leu, eu recomendo para quem gosta do assunto de criminologia. E, para quem já leu e gostou, um adaptação cinematográfica baseada nessa obra foi lançado nos EUA no ano passado. Espero, somente, que tenha sido fiel a obra original, que é incrível. A Editora Darkside, como sempre, arrasa com as suas publicações!